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A roda não é mais redonda

Por .faso em 2 de dezembro de 2009 às 16:11 (Um comentário)

Uma das minhas atividades profissionais fora do mundo da bonecagem, é lecionar. Sim, sou um professor voluntário em um projeto de ensino de informática para a terceira idade. Pode parecer piegas, mas a cada nova aula, a cada sucesso e fracasso, eu aprendo muito com elas. A aula que acabo de dar é desses exemplos e que me levaram a escrever esse post.

Pelo menos há uns dois meses estou ensinando meus alunos a usarem a internet. Passei pelo feijão com arroz ao mundo das pesquisas online; algumas turmas aprenderam bem mas uma estava enfrentando problemas em “cortar o cordão umbilical” comigo.

Quando me refiro a “cortar o cordão umbilical” me refiro a tirar as rodinhas da bicicleta e deixar as pessoas guiarem sozinhas nesse novo ambiente. Esta turma simplesmente não conseguia fazer isso e certamente o problema era meu. Na aula de hoje tentei ir por um caminho novo.

No melhor estilo “João e Maria” fui o mais didático possível, transformando a aula em um grande tutorial passo-a-passo de como as coisas deveriam ser feitas, ao mesmo tempo que explicava conceitos e termos que eles já haviam
visto mas não se recordavam.

Como o nosso objeto de estudo de hoje foi navegar na internet e fazer uma pesquisa simples no Google, foi fácil falar coisas como “No Google, todos os links são grifados na cor azul, textos comuns são pretos e referências na cor verde” – é exatamente aqui que surgiu o meu medo e mote desse artigo.

Dentro um único site TEORICAMENTE o ambiente é controlado. Links são de cores X, textos são Y, etc., mas o que acorre após o link é totalmente imprevisível. É preciso lembrar que nós que mantemos blogs, twitters, facebooks e muito mais, estamos no topo da cadeia informativa – somos nativos desse mundo e para ele sabemos nos adaptar. Já esses meus alunos com seus 60, 70 e até 80 anos nasceram e foram criados em um mundo mais analógico, mais ligado aos átomos. Deixe-me ilustrar isso através de um
livro.

Um livro comum possui páginas que podem ser abertas para ter o seu conteúdo lido. Qualquer um que pegar um livro sabe como manuseá-lo, mas quando esse livro é transposto para o meio digital – será que devemos configurar as páginas através de links ou com rolagem auto-incrementadora? Será que as notas devem guiar para uma âncora no rodapé ou abrir um pequeno pop-up sobre
ela? E quais cores usar? Posso fazer o fundo branco ou preto; links com ou sem sublinhado e com cores fora do padrão azul-uniforme-de-colégio. Percebe que com mais opções acabamos criando pequenas barreiras que impedem que novas pessoas usufruam desse mundinho que vivemos?

Estou ciente que sempre terá alguém que falará que basta aprender o básico para poder “se virar”, mas como fazer isso se até o básico tem variantes? Só de navegadores instalados nesse computador existem três sabores, cada um usando termos próprios, arquiteturas visuais e códigos únicos.

Não sou a favor de uma total padronização da internet – ainda mais sabendo que isso é praticamente impossível, mas sei que irei me desdobrar para mostrar que por aqui a roda não é apenas redonda, que ela pode ser quadrada, triangular, hexagonal…

Abraços,

tio .faso

1 comentário »

  1. Comentado por Rodrigo van Kampen3 de dezembro de 2009, 10:56

    Bem vindo ao desafio educacional do século! Hoje em dia não adianta mais ser conteudista. É preciso ensinar a buscar a informação, a se virar no mundo virtual, a entender a lógica de um site apenas olhando um pouco.

    E isso vale para desde crianças até idosos!(No caso de idosos é um pouco mais difíci). É como ensinar um novo idioma ou uma linguagem de programação. Você não ensina frases prontas. Você ensina palavras, grafia, gramática, semântica, para que a própria pessoa monte a frase. Na linguagem de programação, você ensina módulos, códigos, semântica, mas quem vai criar é o programador!

    Esse não é um desafio novo. É um desafio antigo, mas atualizado para o mundo atual!

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