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home > arquivo > outubro de 2009

Sob o efeito da nuvem

Em uma conversa com minha sócia, no finalzinho da tarde de domingo, ela me confessa que estava preocupada com tanta coisa para ser feita e melhorada na empresa. Tasco-lhe uma pergunta: “Você passa quase o tempo todo pensando na empresa?” – ela responde positivamente e eu retruco: “Parabéns! Você já está sobre o efeito da nuvem!!”

Diferentemente do que possa parecer, “estar sob o efeito da nuvem” não tem nada haver com computação distribuída ou aplicativos que rodam via web. Essa nuvem é algo antigo, que muitos cartuns retratam muito bem.

Quem se lembra de alguma cena em que o personagem é perseguido por uma nuvem cinza, que chove apenas sobre sua cabeça? Estar sob o efeito da nuvem, no mundo dos empreendimentos, é basicamente isso.

Todo mundo tem suas pequenas nuvens: contas a pagar, filhos para cuidar e outro diversos problemas para sanar, mas quando você vira empresário, a nuvem tem um gosto todo especial.

Pense no seguinte: desde pequenos fomos condicionados e criados para sermos empregados de alguém. Ninguém nos treina para gerir nossas próprias idéias. E quando trabalhamos, volta e meia reclamamos dos nosso chefes, do nosso salário e de tudo mais que envolve ter aquela carteirinha azul de papel. Mas quando estamos do outro lado do balcão, a coisa muda de figura.

Quando damos esse passo -gerir uma empresa-, sentimos um peso enorme, um medo e um frio na barriga que antes não existiam. Nos vemos nús diante de um mundo que sempre nos oprimiu (ou você acha que consumir é o que? é uma forma de opressão socialmente aceita). Pela primeira vez em nossas vidas vemos que ganhar dinheiro é relativamente fácil, mas trabalhar para que isso ocorra envolve muitas variáveis que antes desconhecíamos: impostos, contratos, relacionamentos, consumidores, fruidores, gestão de marca e empresa, etc. . Tudo isso sempre existiu de forma mágica, como a comida na geladeira na casa de nossos pais.

Mas adianto que não é ruim estar com essa nuvem pairando nossos cucurocos, aliás é o batismo secreto de todo empresário, afinal é aqui que os sonhos se separam do limite do seu holerit.

Abraços,

tio .faso

O que você quer ser quando crescer?

“O que você quer ser quando crescer?” foi o tema das palestras que eu dei hoje, no meu antigo colégio – o qual eu não adentrava há quase 10 anos. Devo confessar que, ao entrar pelo portão de entrada, senti meu coração pulsar mais forte, como se eu retornasse a um mundo mágico… pensando bem, retornei mesmo! Voltei para a minha adolescência.

A convite da minha ex professora (hoje coordenadora), fui incumbido de falar um pouco sobre a minha carreira profissional, para jovens de 14 a 17 anos. Cada rostinho que me me observava, trazia a tona um passado rico e completo que me faz ser o que eu sou.

Com as palestras lembrei dos meus distantes 12 anos de idade, quando eu entrei para o curso de desenho e por lá permaneci por 3 anos ou da primeira vez em que ganhei um computador -tempos depois- descobria a internet. Cruzei de forma veloz pelas salas das duas faculdades em que pisei (tendo concluído apenas uma, a de design) e, por fim, me vi hoje, aqui no .marcamaria rodeado por um sonho que eu nunca abandonei.

Espero que esses slides sirvam de inspiração a todos que dedicarem um minuto de sua atenção. São páginas digitais de um sonho; um sonho que me fortifica e revigora toda vez quando eu lembro quem eu fui, que eu sou e que um dia poderei ser.

Um super abraço,

tio .faso

Quem disse que empreender é fácil?

Uma das coisas que venho percebendo… não! – “aprendendo” é o termo mais correto – é que transformar um sonho em algo palpável e viável é mais complicado do que parece.

Com os problemas que acometeram a saúde da minha mãe, me vejo dividido entre dois mundos: cuidar dela e de todos os afazeres que ela geria e erguer uma nova fase de uma empresa que está começando a andar com a próprias pernas.

Se eu tivesse os recursos necessários (lê-se “dinheiro”), possivelmente não escreveria algo do tipo. Certamente eu teria mais pessoas ao meu lado trabalhando e cuidando dessa minha cria, mas isso é apenas um sonho futuro. Tudo depende apenas do meu esforço para que o pontapé inicial seja dado – ele é certamente um dos mais difíceis.

Por mais que os consultores digam que é necessário fazer um planejamento estratégico de tudo o que é necessário para colocar o carro nos trilhos, nem sempre é assim que ocorre. No meu caso eu estava quase desistindo de bonecar quando um biscoito de maizena quebrado me mostrou um novo caminho que eu poderia trilhar. E devo confessar que demorei a perceber o quanto aquilo poderia mudar a minha vida. Aliás, tudo me soa um pouco surreal, com pedidos e mais pedidos de bonecos, notas em blogs, revistas e jornais e pessoas que me encontram pessoalmente e demonstram um brilho e entusiasmo sobre o meu bonequinho de um palmo de altura que eu nunca poderia imaginar.

O fato agora é que eu preciso colocar tudo em prática, mesmo que seja por uma hora, que é tempo livre que está sobrando entre uma tarefa doméstica ou uma ida a farmácia.

tio .faso

O elo perdido entre a web e o mundo real

Tive a ousadia de me apossar do título de uma entrevista que The Guardian fez lá no longínquo ano de 2007, com os empresários Richard Moross (Moo.com) e Bob Young (Lulu.com). Ela demonstra algo que me afetou profundamente: ser um empresário em pleno século XXI.

Gosto muito de ler como empresários em diversas épocas da história conseguiram colocar suas idéias em prática, transformando sonhos desacreditados por muitos em verdadeiros impérios capitalistas. Mas diferente dos desbravadores do início do Século passado, como o meu avô que na década de 1920 abriu sua empresa de máquinas agrícolas, hoje dispomos de recursos únicos para poder empreender. Quantas empresas que você conhece e admira são frutos da modernidade? Empresas que não existiriam sem a web e tecnologias modernas? A Moo e a Lulu são dois grandes exemplos disso.

Puxando a sardinha para o meu lado, o .marcamaria é mais um fruto (que ainda está um pouco verde) desse momento. O meu único produto é a essência disso: boneco personalizado, com caixa personalizada e mimos (como papel de carta e certidão de nascimento) personalizados. Sem impressoras laser, internet e softwares gráficos, eu não poderia criar algo que varia de acordo com o pedido do cliente. Hoje eu não sou obrigado a ter uma estrutura imensa, com um produto único e massificado que gere receita para manter todo o monstro corporativo.

Se esse século tem alguma coisa para nos ensinar é que tanto eu como você podemos dar vazão as nossas idéias, basta nunca desistirmos dos nossos sonhos.

tio .faso

tio .faso 3x4