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home > arquivo > setembro de 2009

Por que a Mônica não tem sapatos?

“Porque eu não tinha tempo para desenhá-los. Uma pergunta direta, uma explicação verdadeira e poderíamos terminar por aqui. Mas ainda sobrariam algumas dúvidas que acho bom tentar esclarecer, em homenagem e respeito aos leitores. [...]” – Mauricio de Sousa (link)

Acredito que para os mais puristas isso pode parecer uma heresia, mas eu o entendo perfeitamente. Apesar de adorar fazer mãozinhas e pés, meus bonecos comerciais não possuem mãos ou pés, justamente pelo mesmo motivo apontado pelo Maurício: tempo para fazer tudo sozinho.

Eu no começo da minha bonecagem fazia tudo completo, mas demorava de dois a quatro dias para terminar um boneco (isso sem contar que todos ficavam pelados). Hoje levo em média 4h para fazer um, o que possibilitou a comercialização.

Uma coisa que aprendi com a vivência é que por mais perfeccionistas que sejamos (e eu sou muito), é que para sobreviver nesse mundo doido é preciso fazer algumas concessões. Isso mesmo que você leu: “abrir a mão de algo”.

Quando se dirige uma empresa (ou mesmo em um relacionamento amoroso), esse comportamento fica claro: às vezes você quer fazer as coisas de uma forma, mas o capital temporal e financeiro não permite. Meus mini-mis são frutos desse pensamento.

Quando o meu grande amigo Peixe solicitou os primeiros bonecos que viriam a ser os mini-mis, os recursos eram escassos, o prazo também e eu não tinha uma idéia clara do que iria fazer. Para poder honrar tudo isso, as formas foram simplificadas e otimizadas – só o essencial era visível aos olhos. Levei quase dois dias para fazer os primeiros mini-mis, mas a cada novo pedido o tempo de produção foi diminuindo e diminuirá mais ainda. E é graças a essa “otimização de tempo” que a empresa está crescendo. Claro que não estou dizendo para você fazer um serviço ruim por causa do tempo curto, mas sim otimizar para poder atender bem e com qualidade.

Pensando alto: aquela frase “que a necessidade faz o homem” é a mais pura verdade. Tenho certeza que com os recursos a mais, essa história teria sido diferente.

tio .faso

Via Cris Dias

Quem disse que empreender é fácil?

Uma das coisas que venho percebendo… não! – “aprendendo” é o termo mais correto – é que transformar um sonho em algo palpável e viável é mais complicado do que parece.

Com os problemas que acometeram a saúde da minha mãe, me vejo dividido entre dois mundos: cuidar dela e de todos os afazeres que ela geria e erguer uma nova fase de uma empresa que está começando a andar com a próprias pernas.

Se eu tivesse os recursos necessários (lê-se “dinheiro”), possivelmente não escreveria algo do tipo. Certamente eu teria mais pessoas ao meu lado trabalhando e cuidando dessa minha cria, mas isso é apenas um sonho futuro. Tudo depende apenas do meu esforço para que o pontapé inicial seja dado – ele é certamente um dos mais difíceis.

Por mais que os consultores digam que é necessário fazer um planejamento estratégico de tudo o que é necessário para colocar o carro nos trilhos, nem sempre é assim que ocorre. No meu caso eu estava quase desistindo de bonecar quando um biscoito de maizena quebrado me mostrou um novo caminho que eu poderia trilhar. E devo confessar que demorei a perceber o quanto aquilo poderia mudar a minha vida. Aliás, tudo me soa um pouco surreal, com pedidos e mais pedidos de bonecos, notas em blogs, revistas e jornais e pessoas que me encontram pessoalmente e demonstram um brilho e entusiasmo sobre o meu bonequinho de um palmo de altura que eu nunca poderia imaginar.

O fato agora é que eu preciso colocar tudo em prática, mesmo que seja por uma hora, que é tempo livre que está sobrando entre uma tarefa doméstica ou uma ida a farmácia.

tio .faso

tio .faso 3x4